Grutas de Minas Gerais

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Quem foi Peter Lund                          
          
       
         
          O cientista dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880) é considerado o pai da paleontologia brasileira, o ramo da ciência que estuda as formas de vida existentes em períodos geológicos passados, a partir dos seus fósseis. De acordo com a revista Ciência Hoje, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em artigo de Raquel Aguiar, o pesquisador descobriu mais de 12 mil peças fósseis em cavernas da região de Lagoa Santa (MG), que permitiram escrever a história do período pleistocênico brasileiro, o mais recente na escala geológica.
         
          Entre as descobertas de Lund, figura o denominado Homem de Lagoa Santa, que revelou a presença humana no local há mais de 10 mil anos. Contam-se também exemplares do tigre-dente-de-sabre, da preguiça gigante e do tatu gigante, entre outras espécies. Lund também é reconhecido como o pai da espeleogia no Brasil, o estudo da formação de grutas e cavernas. Explorou mais de 800 delas, algumas das quais foi o primeiro a localizar e a entrar. No campo da arqueologia, relatou a descoberta de importantes pinturas rupestres (feitas na rocha) e instrumentos de pedra.
         
          Nascido em Copenhague, Lund era filho de ricos comerciantes de lã. Bacharel em Letras, aos 17 anos começou a cursar medicina, interesse que logo se expandiu para a zoologia e a botânica. Em 1825, veio para o Brasil e se fixou numa aldeia de pescadores do litoral fluminense, estudando o comportamento das formigas e os ovos dos moluscos. Depois de mostrar suas descobertas na Europa, ele retornou ao Brasil, em 1833, em companhia do colega L. Ridel, desta vez para ficar. Consta que se mudou para o Brasil fugindo do clima nórdico, temeroso da tuberculose que vitimara dois irmãos.
         
          No ano seguinte, numa excursão botânica a Minas Gerais, Lund e Riedel tomaram conhecimento, casualmente, da existência de grandes ossos em cavernas calcárias da região de Lagoa Santa. A revelação coube ao conterrâneo Peter Claussen, que explorava salitre na área. Os moradores locais atribuíam os ossos a homens pré-históricos gigantescos. Em 1835, Lund visitou as grutas Lapa Vermelha e Lapa Nova de Maquiné.
         
          "Nunca meus olhos viram nada de mais belo e magnífico nos domínios da natureza e da arte", resumiu o cientista. Ele se referia aos efeitos cênicos provocados pelas estalactites e estalagmites. "Todos estes deslumbrantes primores da natureza são realçados pelos mais delicados ornatos tanto de formas fantásticas quanto de bom gosto, franjas, grinaldas e uma infinidade de outros enfeites", Lund escreveu.
         
          Das suas escavações ao longo dos anos, puderam ser identificadas diversas espécies de animais. A seguir, entre parênteses, os nomes científicos de alguns deles: cavalos (Equus amerhippus neogeus e Hippidion principale); uma série de preguiças terrícolas gigantes (Catonyx cuvieri, Eremotherium laurillardi e Nothrotherium maquinense); carnívoros como o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon populator) e o cachorro das cavernas (Protocyon troglodites); capivara gigante (Neochoerus sulcidens); o tatu gigante (Pampatherium humboldti) e o macaco (Protopithecus brasiliensis), além do homem fóssil sul-americano.
         
          Em 1843, Lund descobriu ossos humanos de cerca de 30 indivíduos, misturados a fósseis de animais. Do ponto de vista antropomórfico (referente à forma humana), os fósseis descobertos eram bastante distantes dos indígenas americanos e próximos dos negróides. Suas características físicas eram homogêneas, o que indica seu isolamento genético (aqueles indivíduos não teriam se misturado com outros grupos). Essa identidade configurou o perfil daquele que ficou conhecido como o Homem de Lagoa Santa. As ossadas mais antigas foram datadas entre 11 mil e 8.000 anos.
         
Fontes: Raquel Aguiar (Revista Ciência Hoje, agosto de 2002, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC), Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, Tempo Passado - Mamíferos do Pleistoceno em Minas Gerais (Cástor Cartelle, 1994, Editora Palco) e Prefeitura de Pedro Leopoldo

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