Cidade Congonhas:

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Os Passos da Paixão              (Clique Aqui e veja fotos de Congonhas)       

         
        
        
         As seis capelas dos Passos da Paixão, na cidade de Congonhas (MG), em Minas Gerais, uniram dois dos principais nomes da arte colonial brasileira. Para compor as 66 peças em madeira que representam o calvário de Cristo, neste que é considerado o principal conjunto de imagens do barroco brasileiro, trabalharam o escultor, arquiteto e entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o pintor Manoel da Costa Athaíde.
        
         Dispostas lado a lado, as capelas estão localizadas na ladeira íngreme que conduz ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, onde Aleijadinho esculpiu sua monumental série de 12 profetas. As 66 figuras de madeira ilustram os passos da Ceia, do Horto, da Prisão, da Flagelação e Coroação de Espinhos, da Subida ao Calvário e da Crucificação de Cristo. Em 1985, o santuário recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
        
         A igreja ficou pronta em 1790. Embora o adro (terreno em frente ao templo) que iria receber os profetas já estivesse concluído naquela data, Aleijadinho iniciou seu trabalho em 1796 pelas esculturas da Paixão. As capelas ainda não estavam prontas. O trabalho de escultura durou apenas três anos e cinco meses, com a participação dos ajudantes do seu ateliê, estando concluído em 1799. Já as capelas só foram finalizadas muito mais tarde, depois de paralisadas por quase 50 anos. As obras só foram reiniciadas em 1864.
        
         Athaíde começou a pintar as imagens somente a partir de 1808. Infere-se que as três últimas capelas não tiveram participação do artista. A documentação dos registros das obras mostra que a policromia só era iniciada quando a capela estivesse concluída. Como as três últimas capelas - Flagelação e Coroação, Subida ao Calvário e Crucificação - só foram concluídas na segunda metade do século 18, a pintura não deve ser de Athaíde, que morreu em 1830. Não há registros sobre quem teriam sido os autores.
        
         Em 1875, todas as capelas dos Passos da Paixão estavam concluídas, com suas 66 imagens policromadas e arranjadas em cada uma. O Livro de Inventários da Irmandade de Matosinhos, datado de 1875, aponta o registro de 64 peças. Para os pesquisadores, há duas  hipóteses para  explicar a divergência. Aleijadinho teria executado 64 das 66 imagens previstas e o ateliê foi responsável pelas duas restantes. Ou, então, as imagens teriam se extraviado durante o intervalo de 76 anos, entre o final do trabalho do escultor e a conclusão das obras, e estiveram guardadas à espera da construção das capelas.
        
         A série da Paixão estipulava a construção de sete capelas, originalmente. Após um intervalo nas obras de mais de 50 anos, entre a Prisão e a Flagelação, decidiu-se pela junção da Coroação à quinta capela. Assim que terminou a execução das figuras dos Passos, após três anos de trabalho ininterrupto, Aleijadinho partiu para fazer a série dos profetas.
        
         A princípio, o projeto previa duas séries de capelas: a Passos da Paixão, na parte da frente do templo, e os Passos da Ressurreição, na parte posterior. Pretendia-se, assim, seguir o exemplo do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal, de cujo bispado era originário o fundador do Santuário de Congonhas, Feliciano Mendes. Somente em 1800, dez anos após a conclusão do adro, Aleijadinho começou a execução do grupo composto pelos 12 profetas em pedra-sabão, trabalho realizado em duas etapas e encerrado em 1805.
        
Fontes: Baseado em trabalho do setor de tombamento do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), 1990), Dossiê de Tombamento Municipal do Centro Histórico de Congonhas (1996) e Secretaria de Turismo de Congonhas

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